Comunicação: uma breve análise histórica, sociológica, antropológica e cultural

A comunicação está intimamente ligada às relações históricas, sociológicas, antropológicas e culturais, pois são através desses elementos que o comunicador pode conhecer seu público alvo, local ou o assunto objeto da sua pesquisa e trabalho.  As informações históricas ajudam a compreender como determinado local, assunto ou movimento evoluiu durante determinado período do tempo, já as informações sociológicas indicam as características e funcionamento de determinadas sociedades ou grupos sociais.

Também temos as informações antropológicas que ajudam a entender como as pessoas pensam, agem e interpretam as mensagens midiáticas, ou seja, como cada individuo compreende o mundo que vive, por fim, as informações culturais respondem por que determinada cidade tem aquele comportamento, ou ainda, porque em tal país utilizam aquele tipo de vestimenta. Portanto, um comunicador de sucesso precisa compreender esses elementos, para desenvolver seus trabalhos com o intuito de produzir sentidos no seu público alvo. Nesse sentido, é possível concluir que a comunicação impacta e sofre impacto dos elementos históricos, sociológicos, antropológicos e culturais.

Falando do padrão de beleza do corpo, historicamente, esse padrão mudou muito com o passar dos anos, na Pré-História o corpo do homem era considerado uma arma de sobrevivência, pois servia para caçar e guerrear, já o corpo da mulher era associado à fertilidade, então a obesidade significava a perfeição.  Na Idade Média não existia padrão de beleza, pois a igreja pregava que o corpo era o templo de Deus, então qualquer cuidado especial era considerado profano. No Renascimento o corpo era representado em pinturas e obras sedutoras, bem como a obesidade voltou ao patamar de padrão de beleza.

No século XVII valorizavam-se os corpos mais delicados e afunilados pelos espartilhos, já no século XIX os corpos avantajados retornaram a moda, mas no século XX a beleza perdeu espaço para a inteligência. Em meados da década de 50 o padrão de beleza estava relacionado com a sensualidade, ou seja, quadris largos e seios fartos, acentuados pelos sutiãs com enchimento. Já nos anos 80 os corpos malhados e bem cuidados marcaram a era fitness. Em 1990 a atenção à saúde perdeu o foco, dando abertura para corpos andróginos, altos, magros e curvilíneos sem exagero. Nesse momento aconteceu uma mudança radical, pois a critica ao padrão de beleza feita pela sociedade, devido à maioria da população que não conseguia atingir o padrão esperado, fez com que o padrão de beleza fosse associado à felicidade das pessoas, ou seja, cada um tem o corpo que deseja, sem estereótipos.

Essas mudanças históricas vistas pelo viés social indicam que as pessoas, em especial as mulheres, desde o inicio da humanidade vivem lutando para obter o padrão de beleza imposto pela sociedade, mesmo com as conquistas feministas, as mulheres fora do padrão ainda sofrem preconceito, bem como causam prejuízos à própria saúde, na busca por algo impossível. O mundo é bombardeado por propagandas, novelas, redes sociais, entre outras mídias todos os dias, que tenta convencer as pessoas sobre determinado padrão de beleza, que pode trazer sucesso pessoal e profissional.

Até dentro da própria família, onde os pais cobram das crianças que sejam magras, pois caso contrário não conseguiram relacionamentos amorosos e profissionais de sucesso. Temos também os prestadores de serviços estéticos explorando as pessoas que estão desesperadas pela busca da felicidade representada pelo padrão de beleza ideal, ou ainda, a indústria da beleza e da moda, que até pouco tempo produzia roupas apenas para pessoas magras, nesse sentido, quem tinha outro tamanho encontrava muita dificuldade para consumir roupas e sapatos, ou ainda, não encontrava, ao contrário de hoje que existe a moda plus size.

Já no viés antropológico, ter e manter um padrão de beleza custa caro, pois impacta tanto no bolso quanto na saúde das pessoas, que por sua vez, não conseguem se aceitar como são, por influência do alto poder de convencimento dos veículos midiáticos, então investem em cirurgias plásticas desnecessárias, dietas mirabolantes, entre outros métodos bizarros, bem como apresentam distúrbios alimentares e mais tarde doenças como bulimia e anorexia nervosa, podendo morrer devido essas doenças ou suicídio, pois não conseguem sobreviver nesse mundo onde todo mundo é bonito e ela não, de acordo com o padrão imposto.

Culturalmente, cada sociedade também estipula o seu padrão de beleza do corpo, ou seja, antigamente as pessoas que viviam em cidades do interior normalmente eram mais encorpadas, já as pessoas que moravam perto dos grandes centros adotavam corpos bem definidos. Também podemos citar como exemplo, os indígenas que não utilizavam roupas, pois não conheciam esse tipo de cultura.

 

Referências:

Conheça a história dos padrões de beleza e sua evolução. Disponível em: <http://blog.wearehuman.com.br/conheca-a-historia-dos-padroes-de-beleza-e-sua-evolucao>. Acesso em: 13 jul. 2018.

O padrão de beleza imposto pela mídia. Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/diretorio-academico/_ed794_o_padrao_de_beleza_imposto_pela_midia>. Acesso em: 13 jul. 2018.

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